Análises de ADN mitocondrial antigo (mtDNA) estão a ser utilizadas para estabelecer padrões de migração e características da população que integrava as culturas indígenas da América antes de Cristóvão Colombo ter chegado a este continente.
Uma nova investigação publicada no BioMed Central's trabalha sobre as análises de ADN dos indivíduos da região de Arequipa e pretende identificar as relações familiares e tradições de enterramento no Peru antigo.
A unidade social (ayllu) dos nativos sul-americanos baseia-se em relações de parentesco. Estas comunidades também estão associadas com monumentos fúnebres (chullpas), que são considerados importantes locais para apreensão das relações sociais e da importância religiosa dos “ayllu” que faziam o culto aos antepassados e acreditavam que a sua origem tinha um ancestral comum.
Investigadores da Universidade de Varsóvia, em colaboração com a Universidad Católica de Santa Maria, utilizaram análises de ADN para reconstruir as árvores genealógicas dos indivíduos enterrados em seis “chullpas” próximas do vulcão Coropuna, no sul do Peru. Apesar de muitos saques perpetrados a estes locais, a natureza única deste sitio, situado a 4000 metros de altitude, permitiu uma extraordinária preservação de restos humanos e de ADN , presente sobretudo nos dentes e nos ossos de 40 indivíduos objecto da investigação.
As análises de “mtDNA” mostraram que os grupos eram de origem andina e indicaram uma continuidade com cerca de 500 anos, até aos andinos modernos, sem qualquer impacto importante pela colonização europeia.
A estrutura social de um “aylla” foi analisada usando o cromossomo Y (masculino) e a em conjunto com o mtDNA. Laços de família eram claramente mais fortes dentro de cada “chullpa”, uma vez que os indivíduos enterrados no mesmo neste lugares mostraram laços de maior parentesco do que aqueles enterrados em chullpas diferentes, e todos os homens enterrados juntos compartilhavam perfis do cromossomo Y idênticos.
Em dois dos “chullpas” várias gerações de indivíduos masculinos relacionados foram encontrados. Esta constatação vem reforçar a ideia corrente de que os antigos Andinos trocavam mulheres entre famílias - a chamada "troca de irmã", enquanto os homens se mantinham ligados à sua terra de origem.
As combinações destas análises permitiu apurar um nível de detalhe sem precedentes no estudo do comportamento social destas antigas comunidades. Num dos “chullpa” três linhagens do cromossomo Y diferentes foram encontrados. A Comparação de mtDNA dentro desta estrutura funerária sugere que dois dos homens tinham a mesma mãe mas pais diferentes, e um terceiro estava relacionado com uma das mulheres, sendo provavelmente irmão.
Mateusz Baca, um dos responsáveis por este estudo disse que "estes resultados mostram que a comunidade estudada era um sociedade patriarcal. O uso de “chullpas” como sepulturas da família é consistente com a ideia de “ayllu” baseados em comunidades formadas em torno de relações de parentesco”.
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